quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

A praia do meu umbigo



na praia do meu umbigo,
os navios longínquos eram miniaturas,
brinquedos quebrados de tanto fazer de conta, 
nas horas em que não molhavamos os pés.

creio que as ondas de vidro sempre existiram,
agarradas às algas e às impiedosas rochas verdes,
a espuma da maré fez parte do cenário de sempre, 
preso ao areal do teu cabelo e à salmoura do olhar.

em loop constante,
o tempo esculpiu os ossos desta praia, 
calcorreada pelos dinossauros 
porta-chaves a um Deus descalço.

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