domingo, 7 de agosto de 2011

Poema Colectivo - 29-07-11- Anti-crise

Meus Amigos,

as vossas palavras num poema colectivo "quasi" bilingue.

 




É agora ou nunca: temos a oportunidade para acontecer
Je crois que dans le ciel il ya une fleur d'espoir
Talvez com menos ganancia e um pouco mais de amor
Ajuda-me que eu preciso dá-me sempre a tua mão
não fiques indeciso porque eu de ti preciso
Crise tempo de crescimento
tempo para reinventar a alegria e o abraço
meu amor, o mar...
o tempo que faz lá fora é o calor que temos cá dentro
A crise serve de desculpa para o que corre mal
mas nesta fase de transição vou deixar a palavra crise
e troco-a por uma esperança
pois a vida é composta por mudança
já dizia o poeta...
Correu-mal as provas de aferição
e para resolver isso tenho que estudar mais
e ter atenção às aulas
Mas continuamos vivos!



Agradecimentos:

a todos os que apareceram
aos que desapareceram
aos que escreveram 
a todos os de coragem
aos outros da outra margem
Amigos em noites de palavra e partilha 




Ah....quase me esquecia
ao Rafael Melo pelo registo fotográfico "desfocado"
e à Manuela pelo Licor Beirão sem pedras de gelo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Vila dos prazeres descalços



Na vila não se falava de outra coisa...
esta manhã a dona Aurora,
púdica confessa todos os dias, incluindo feriados e domingos,
mas capaz de violar o enteado leiteiro no meio de tanta fominha
deparou-se com um fenómeno estranho:
Vários tipos de calçado, suspensos  pelos atacadores nos fios eléctricos baloiçavam ao vento como corpos dependurados,
para que conste: uns mokasans pretos nº36, uns sapatos-vela castanhos nº 42, e umas sapatilhas de ginástica nº 34

E não é que...
cem metros mais à frente, na rotunda, como quem vai para a drogaria do vinagreiro chunga
um casal de jovens em pelota, entretidos na degustação libinal,
marcavam no empedrado em preceito bem aprumado,
uma erótica acrobacia das quais projectavam sombras gigantes num relógio de sol em carne humana
numa alusão espíritos protagonistas do kamasutra
tal não era a composição sexual num acto perene sem desfecho à vista

Era bonito de se ver, tal labor e empenho na satisfação mútua,
a vila centrava-se num fio de baba a escorrer pela boca aberta dos seus habitantes
uns, montados em carros de bois, de velas nos faróis e  pneus em câmara de ar remendada, badalavam chocalhos numa alegre romaria e chinfrineira,
enquanto outros, empoleiravam-se nas janelas batiam tachos e panelas numa algazarra endiabrada;
porém o casal mantinha-se na deles como se nada fosse,
entretidos por fazer cumprir o desejo em acto contínuo

Ora quando a Dona Aurora viu os jovens naqueles impróprios preparos no meio da rotunda em plena circulação diurna
veio de lá com a sua besta de estimação, uma esfregona vileda de última geração, daquelas que chegam aos sítios mais difíceis,
e toca de arrear a bom ritmo nos miúdos que ainda agora descobriam as valências da boca nos sexos e dos sexos nas bocas
Os jovens de tez branquinha e suada, com nódoas negras ficaram de tanta pancada
e com medo de apanhar ainda mais
lá se separaram da boda húmida que os unia
nesse precioso momento uma enorme descarga eléctrica fez-se ouvir
e começou a cair dos fios eléctricos todo o tipo de calçado que ali estava pendurado,
seguiu-se um clarão os jovens nus evaporaram-se

Há quem diga que o casal seriam Anjos dos 7 Pecados ou Demónios alados
opinião contrária teve a Dona Aurora que fez figura de tolinha
com a sua esfregona vileda no meio da rotunda
a esbracejar à maluca num preceito de ébrio policia sinaleiro
nada mais foi igual desde então e toda a população
em memória de tal aparato passou andar de pé descalço
 
Após esse dia a vila foi baptizada com um letreiro
no qual se podia ler:

" Vila dos prazeres em pés descalços, terra dos que fazem em público, aquilo que outros sussurram em privado”

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Café Poema - 29-07-2011 - Anti-Crise







Sejam bem-vindos a este cantinho Portucalense, 
onde, desde de tempos imemoriais,
temos andado de braço dado com a senhorita crise
numa dança de pé descalço e desajeitada pisadela. 
porém, 
dos Poetas, visionários, sonhadores fizemos corpo 
e num triunfal engenho contornámos ratoeiras
impostas pelo plano inclinado do soalho em curva  
tantas vezes envernizado a jeito do trambolhão 
e da monumental palhaça
mas na dança do pé descalço levantámos a palavra
na valsa do sonho por um cantinho melhor.

_____________________


e assim será o próximo café poema, apareçam!


SG

terça-feira, 28 de junho de 2011

A menina da rádio



Quando eram 02:00 sintonizou a frequência de éter sem amparo ou sono
e esperou pelo início do seu programa de rádio favorito
depois deixou-se cair na cama de livros moribundos num suave deleite
ao sabor de uma voz infinita de aguarela colorida
que se desprendia dos frutos quentes da noite em calda doce e sílabas de mel

Por mais que uma vez, ele imagina o sorriso da voz,
nunca estabelecendo um paralelismo direto entre a locutora e o sibilar da fala que a habitava
como se a pessoa do outro lado das ondas hertzianas fosse uma entidade
e a sua voz fosse outra, numa janela de alma diferente
que jamais se juntariam num invólucro único e comum

Para ele, aquela voz era um fio de azeite e o corpo uma filigrana de água
passou a noite desfolhando as improbabilidades das parecenças
escutando o bater acelerado do seu coração
sempre que a locutora anunciava uma outra luz de canção

Por sua vez, no estúdio da rádio,
um corpo de transístor autómato proferia o canto das estrelas
em piloto automático de uma playlist sistematizada
nisto a menina da rádio chegou ao estúdio ensonada
mas ainda a tempo de desligar o computador,
por respeito de todos aqueles que se rendiam aos encantos invisíveis
que pairam no ar, sem rede, ante a vertigem do imprevisível,
a locutora ocupou o seu lugar e...

Abriu a emissão com a sua voz de sempre,
ele apercebeu-se da diferença e o sonho em aguarela de éter continuou.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O enforcado falhou!



Agora que nos preparávamos para chorar em conjunto, o enforcado falhou!
Convocou toda a gente para o seu derradeiro momento e sem mais nem menos, o enforcado não foi enforcado.

Logo agora!
que estávamos em directo para as televisões, rádios e Internet,
muito atentos para assistir ao enforcamento do enforcado que mesmo antes de ser enforcado já tinha falhado.

Bem me avisaram que ele não era de fiar. Nem um pouco!
Não é à toa que se convoca um padre, dois policias, um taxista (não percebi o motivo da presença do fogareiro) uma prostituta, um autarca, duas irmãs gémeas siamesas, um gestor bancário, uma agente de seguros, um cobrador especializado, dois cães e um caracol. E ele mesmo assim falhou.
Desiludiu toda esta malta acérrima depositária das suas esperanças e tão sedenta por juras de sangue (mas não muito, vá lá só no colarinho)

E ele... o maldito enforcado falhou!
A corrente que dava duas voltas ao pescoço não o estrangulou e pior do que isso não susteve o peso do homem. Há coisas do arco da velha - dizia ela enquanto afastava o fumo de um cigarro alheio, ao mesmo tempo que dois bombeiros e um policia retiravam o corpo completamente depenado que tinha caído ao poço.

Há quem diga que  o enforcado sentiu-se atrapalhado quando viu muita gente junta.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Alto




Em cima do monte mais alto de todos os montes,
um homem mais pequeno de todos os homens
tentava alcançar a curva mais perfeita de todas as circunferências
o epicentro quase nu luar 

desfeito quarto crescente mulher.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Poema Colectivo - A Lua -

Meus caros Amigos.


Este é o vosso poema colectivo escrito numa mesa de café ao mesmo tempo que o luar brindava às coisas de cá de baixo.
Desde já agradeço a colaboração e empenho de todos aqueles que fizeram acontecer esta tertúlia saudavelmente lunática.


---


Eu queria ter uns sapatos com asas nos saltos para subir ao céu, não para lá ficar, antes para pedir ao céu que tem tantas estrelas, entre as quais a mais bonita, para oferecer à minha Mãe.

Nasce a noite, entre o breve sussurrar da lua ocupando a paisagem, no refúgio de um beijo.

Solto as palavras na tua face nua, são lágrimas adormecidas, enquanto o luar respira entre a vigília dos sonhos.

Quando és lua sorrateira e matreira brilhas e iluminas os amados, singela e solitária, a tristeza alheia envolves.

Oh Lua... minha feiticeira iluminas tudo e todos que estão à nossa beira.

Olhos postos no céu, sempre uma luz crua, vejo-te em toda a parte, tenho-te... na Lua!

Lua onde páras? quero dormir com o teu afago.

Não houve em tempos uma raposa que caiu a um poço à procura de um queijo, era a lua reflectida.

Por acaso até achei bem até ter aparecido a lua.

Olá lua, pareces uma bola de futebol, fazes-me lembrar o jogo que perdi...

Oh Luar da meia noite, alumia cá por baixo, eu perdi o meu amor às escuras e não o acho.

No eixo do teu colo embalo as noites que migram em pó de prata numa máscara de timidez e outros dias.

---

Escrito a 27 de Maio, pelos Amigos Poetas deste Café Poema.

Saúde!

Dos mainás na praia de Carcavelos até oftalmologia

  mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...