domingo, 28 de fevereiro de 2016

12 dias de Cogumelo




O natal já passou e este foi um presente que muito apreciei. Trata-se de produto alimentar da marca Gumelo. Há muito que tinha em mente filmar um time-lapse de um cogumelo; assim juntei o útil ao agradável e meti mãos à obra.



Durante 12 dias filmei o evoluir deste organismo (PLEUROTUS OSTREATUS) em minha casa. 
Para tal, foi estrategicamente colocado num canto da sala, onde não incidisse luz directa mas com claridade suficiente e temperatura amena para frutificar Para fomentar o seu crescimento foi borrifado com água duas vezes por dia. No final do processo foi retirado da caixa e cozinhado num apetitoso refogado. Com esta experiencia aliei vários prazeres, a fotografia, o vídeo e a gastronomia num momento único. Recomendo vivamente esta prática e vamos ver se tenho a sorte de obter uma segunda colheita.






quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O Impressionismo do Visitante






O Visitante é surpreendido pela conjugação fantástica dos elementos naturais. No silêncio da paisagem levanta-se um bando de íbis enquanto o arrozal dança nas mãos calejadas do vento. O Visitante não sabe que faz parte de um quadro impressionista anónimo e efémero. Um quadro que existe apenas durante alguns segundos, numa paisagem viva de uma moldura invisível, onde os protagonistas desaparecem logo após a curva do espanto. O Visitante lembra-se de ouvir dizer que "as coisas boas não duram nada". 4 segundos depois, o quadro impressionista desapareceu, levando com ele as aves, o arrozal, a água e o vento. O Visitante limpa com um lenço o relógio de pulso não se interessando pelo peso das horas. Do quadro apenas ficou a recordação do pó que se levantou sobre olhar e o sabor a terra que ainda tempera os lábios do Visitante. Do momento vivido, esquecem-se as dores, permanece a leve impressão que ao vento ficou qualquer coisa por dizer. O Visitante lembrou-se de Deus pela primeira vez no dia e esperou sentado na terra remexida pelo regresso da cor. 

domingo, 31 de janeiro de 2016

Tartaranhão-pálido (Circus macrourus)



Estávamos em novembro de 2015 quando soube que esta raridade estava de visita ao nosso país. Reunidos os amigos, pusemo-nos a caminho. Não foi fácil nem foi à primeira. Foram necessárias algumas viagens até às Lezírias da Ponta da erva para obter um registo. Naquele dia em que o sol não quis espreitar observámos vários tartaranhões mas nenhum era o dito pálido. Após muitos caminhos de binóculos aos céus, foi avistado o que começou por ser um pontinho na imensidão, até se tornar num tartaranhão-pálido. Aqui ficam algumas fotografias que retratam esses momentos de neblina e posterior avistamento.



















terça-feira, 26 de janeiro de 2016

BioMelides - A renovação das águas


A abertura da lagoa de Melides ao mar ocorre anualmente em Março, aproveitando assim as marés vivas desse mês, possibilitando a interacção e a renovação das diferentes massas de água.





Este procedimento realizado pelo homem contribui para nivelar a eutrofização, ou seja, o desenvolvimento excessivo de matéria orgânica (fosfatos e nitratos) na água.




Tal como diminui o assoreamento, evitando a acumulação e deposito de sedimentos nas margens e no fundo da lagoa, transportando esses materiais para o mar.




Esta manobra reveste-se de especial importância para a renovação das águas e contribui de igual forma para entrada na lagoa de pequenos alevinos de peixe, enriquecendo os diferentes ciclos da biodiversidade.

Casas esvoaçantes










antes do dia ser um bando de destroços, 
subo a rua em direcção às casas esvoaçantes;
pelo chão os melros gritam sentenças, 
perdizes atarefadas correm entre trincheiras,
narcejas saltam por entre a raiz dos pés; 
nos cardos, pintassilgos arrepiam o traço do sol, 
e em raminhos de poiso tão altaneiro quanto escondido,
piscos e rouxinóis cantam marchas em fuga.
já os mochos alertavam para a má vida dos homens solteiros
e as cegonhas para temperança das meninas casadoiras,
quando lá em cima, nas casas esvoaçantes, 
se formavam nuvens de estorninhos como sinal de mudança;
os tordos, por sua vez, rezam ao azar dos caçadores,
as corujas expiam o pecado dos andarilhos solitários
por mim...
continuarei a subir esta rua que não mais acaba,
carregando a pena das gaiolas de água.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Falco peregrinus





300 km por hora - esta é a vertigem que mais nenhum outro ser vivo consegue atingir. 
São máquinas voadoras tão raras quanto estas que nos fazem sonhar de pés nas nuvens. 



Enquanto isso, tranquilamente na Lezíria, estes dois falcões peregrinos preparavam-se para acrobacias aéreas de fazer inveja a qualquer festival aeronáutico. 



Esta espécie rupícola, nidifica em escarpas e plataformas rochosas, alimentando-se de aves, entre as quais pombos-das-rochas que caça em pleno voo.




É o maior falcão que nidifica em território português. O seu nome fica a dever-se ao comportamento migratório efectuado pelas populações da norte da Europa em "peregrinações" invernantes. 





domingo, 3 de janeiro de 2016

O tempo da lagoa




Rendo-me à tentação do não-movimento
na quietude de quem viaja por outros paralelos,
em pensamentos e colorações de hemisférios bestiais;
quem aqui vive sente que Baikal não é o maior lago do mundo,
nem o Monte Kilimanjaro é assim tão alto.

Por outro lado, as palavras frias desta lagoa rebentam aos meus pés,
em pequenas ondas melódicas, numa voz antiga,
as nuvens voam baixinho e quase tocam nas garças-brancas,
fazendo levantar das águas rostos esquecidos.

Não me mexo –  afundo-me lentamente.
nestas águas cristalinas serpenteiam fios de lodo,
pequenas mãos-fantasma e as suas escamas ásperas
tentam-me agarrar e puxar,
o mais que conseguem é beliscar os calcanhares;
é neste jogo de toque rápido e fuga de peixe, que me deixo ir:
uma hora depois não é uma hora após,
antes fosse!
o preço a pagar pela passagem deste tempo
é cobrado à saída,
quando, ao colocar a cabeça na almofada,
concedem-te o prazeroso desengano do sono.


Insatisfeito

Falta-me não sei quê para ter não sei quanto não sei como ou quando posso estar completo   tenho tanto que não me chega o intento   não me f...