sábado, 19 de julho de 2014

Casa das Palmeiras


Pela acolhedora simpatia com que fomos recebidos, há sítios que nos fazem sentir em casa. A Casa das Palmeiras é um destes locais. Trata-se de uma quinta de turismo rural, situada em Gandufe, abrangida pela região vitivinícola do Dão, no sopé da Serra da estrela. Aqui descansa-se o corpo e a mente, com um olhar sereno pela vida do campo, onde o tempo faz ouvir a voz da terra. Em cada recanto da Casa das Palmeiras encontramos sempre algo de novo, com uma história por descobrir. Até os animais domésticos tem fábulas para contar; como é o caso da Ritinha, a "produtora" de leite que está na origem do queijo e do requeijão caseiro, e a Pêpa, uma porca muito curiosa que se delícia com festas e canções de embalar.
A primeira vez que visitámos este local estávamos de passagem num périplo fotográfico pela serra. Entretanto, foi-nos endereçado o convite para realizar um inventário da biodiversidade que ocorre na quinta. E assim, durante dois dias, registámos as cambiantes mágicas da natureza.

---

Foram observadas 24 espécies de aves *  entre as quais, o mocho-d´orelhas (Otus scops), o mocho-galego (Athene noctua), a poupa (Upupa epops), o gaio (Garrulus glandarius) e o pardal-montês (Passer montanus).
Na piscina biológica fotografámos a rela  (Hyla arborea), a rã verde (Rana perezi)  e o tritão marmoreado (Triturus marmoratus) e ainda foram observadas as libélulas Lestes virens e Anax imperator.
Nos campos adjacentes e nas suas clareiras foram identificadas 13 espécies de borboletas. Para surpresa e contentamento dos presentes, à noitinha, pelas veredas da quinta, conseguimos observar o tímido ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus) - o maior insectívoro da nossa fauna.
Muitas são as oportunidades que a Casa das Palmeiras tem para oferecer ao visitante que procure na natureza descanso e lazer. Eis alguns momentos de luz e privilégio com que registámos estes dias. 





Papoila (Papaver somniferum)


Rã verde (Rana perezi)


Rã verde (Rana perezi)


Rã verde (Rana perezi)


Nenúfar (Nymphaea alba)


 Rela (Hyla arborea) 


 Rela (Hyla arborea) 


Rela (Hyla arborea)


Nenúfar (Nymphaea alba)


Tritão-verde (Triturus marmoratus)



Macrolepiota procera


Pardal-montês (Passer montanus)


Pardal-montês (Passer montanus)


Lycaena tityrus


Melanargia lachesis


Argynnis pandora


Chrysocrambus dentuellu


Idaea ochrata


Borboleta-zebra (Iphiclides feishtamelii)


Aspitates ochrearia


 Abelhão-terrestre (Bombus terrestris)


Abelhão-carpinteiro (Xylocopa violacea)


Ouriço-caixeiro (Erinaceus europaeus) 


Ouriço-caixeiro (Erinaceus europaeus) 


Macrolepiota procera





* lista de observações de aves realizada por  José Frade e Frederico Morais



sexta-feira, 18 de julho de 2014

XVI









Sentámo-nos a contemplar a fortificação antiga;
calmamente bebíamos os olhares por entre um copo de cerveja
recapitulando, sem saber, gestos de tempos idos.
de quando em vez:
dos teus lábios de nuvem surgia o mar ainda novo,
do ombro nu - o flanco de sol em maré cheia de esplanada,
no teu pulso de oiro - o relógio parado num tempo líquido,
do teu tornozelo queimado -  subiam algas de andarilho. 
depois disto,
o calor das palavras queimava a boca dos nossos segredos
esvaziando as horas iniciais.  

No forte São Julião da Barra,
onde há séculos o sol repete a mesma história;
trágica comédia de amores desavindos
com tantos encontros perfeitos e outros finais.
ali, estava escrito nos corpos de areia e no pó das estrelas
que ano após ano, naquele dia e àquela hora, tudo voltaria a acontecer, 
sem que encontrássemos diferenças
entre personagens deste ou de outro tempo,
porque no final tudo volta ao mesmo,

apenas diferem as máscaras e as sombras.




terça-feira, 15 de julho de 2014

Exposição de Fotografia - Quatro Estações Sobre Monsanto


Meus caros amigos,


É com muito prazer que vos convido a visitar a minha Exposição de Fotografia - Quatro Estações Sobre Monsanto, no Edifício Central do Município, de 14 de Julho a 31 de Agosto.






Morada:
Campo Grande, 23/27 B
Lisboa

Horário:
2a a 6a feira
das 8h00 às 20h00



quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sisi




Esta é a Sisi - uma gatinha com 10 anos.  Conhecemo-nos ontem quando regressava a casa. Obrigou-me a parar para ouvir a sua história, ao mesmo tempo que trocámos umas festas.
Há uns anos, a dona da Sisi morreu e a gatinha foi adoptada pelos vizinhos do prédio. A gatinha está muito bem tratada e esterilizada. O curioso é que ela só aceita festas de homens e torna-se arisca ante a proximidade de uma mulher. Quem me contou isto foi uma senhora, vizinha da gatinha, que tentou tocar-lhe, porém sem sucesso.



Comigo passa-se o contrário - aprecio a companhia feminina mas também gosto dos afectos de Sisi. Partilhei esta ideia com a gatinha e ela não se importou. Entretanto, ouviu-se uma voz que a chamou e Sisi desatou a correr, talvez fosse hora de jantar. Não nos despedimos, porque o tempo corre de forma diferente quando estamos em sintonia e em paz connosco.
Fui para casa a pensar na simplicidade das coisas que fazem os dias durar anos. E Sisi bem podia sair de um filme francês a meio...



quarta-feira, 25 de junho de 2014

Tybak




No deserto Tybak perdeste-te um dia.
Eu parti à tua procura. 
Segui pegadas invisíveis guiado pela lua cheia de mariposas.
Os teus ecos ficavam suspensos nas asas das borboletas, 
formando uma aurora azul e verde de manto calmo.
Para onde quer que olhasse eras tu que eu via: 
num reflexo, numa sombra, tronco, erva, pedra ou brilho da areia;  
É nessa dimensão que habitas: no espaço que existe entre as coisas e os gestos.
Às vezes ouvia um eco que não durava mais do que 2 minutos.
Creio que fosse o rasto do teu nome feliz pelo esquecimento das estrelas mais distraídas.
Um grito sem se ouvir o tempo.

Muitas vezes, desesperado, entrei no deserto, 
percorrendo círculos de demanda e loucura;
tentei encontrar-te, mas tudo o que consegui foram saudades.
Anos mais tarde, o deserto de Tybak foi baptizado com o teu grito. 

Sabes perfeitamente...
Nunca desisti de te procurar em todas as pedras que à noitinha mudam de lugar. 
Não te encontrei e ainda me perco no areal que penso ser o teu corpo. 
Tantas são as vezes que te toco com a imaginação vermelha das cores da terra incógnita.

Não há olhos que te tragam para aqui.
As mãos mentem-me. 
Não há oásis sem que se chore primeiro.
Não há pele sem chuva. 
Enquanto isso...
O deserto move-se até à membrana citadina da civilização.
Qualquer dia o deserto está cá dentro. Ocupa-me.

Tenho a certeza que um dia vou encontrar-te mas até lá...
Sabes porque te escrevo deste sitio inóspito sem posto de correio ou mensageiro de boas novas?
Para que nunca me esqueça como é uma linda mulher no meio dos destroços de um dia esperança. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Uma viagem de dirigível





Lembro-me do teu rosto,
muito antes de nos conhecermos,
recordo-me da tua face felina muito para além de esfinge,  
lembro-me do teu corte de cabelo em curva e contracurva
do teu jeito rebelde de trono desafiante,
salto alto encanto e andar seguro.

Recordo os poemas declamados pelos teus olhos  
da forma como, sem te aperceberes, pronunciavas as vogais 
que existiam dentro dos nossos silêncios.
e deixavas-me adivinhar qual seria o próximo livro que ias ler
ou a peça de teatro que irias improvisar.

Brincávamos a tudo e mais alguma coisa
e às vezes chorávamos sem motivo aparente,
felizes daqueles que não sabem porque choram;
a sonhar tudo nos acontecia.
Guardo para sempre a tua reação, quando um dia te perguntei: 
"verdes ou cinzentos, a que espécie alienígena pertences?"
Sabes qual foi a tua resposta?

Lembro-me do teu corpo.
do traço de luz que descia da tua anca,
e os búzios amestrados que subiam pelas tuas mãos; 
A imaginação da tua boca.
As manobras curiosas dos teus lábios sempre que comias um dióspiro 
e uma gota sensual descia pelo teu queixo, 
dizendo bom dia ao último sol.
A pele do teu nome num beijo de fruto.
Depois a crueldade da distância e a invenção da saudade.

Por favor, lembra-me que estarei a mentir, se algum dia negar tudo isto.
Eu sei que nada disto existe ou existiu. Ainda.
Enquanto isso, espero pela chegada do último dirigível de ar quente.
É nesse momento que te vou reconhecer. 




quarta-feira, 4 de junho de 2014

Inquietude por excelência


Quando me convidaram para escrever e declamar um poema para a cerimónia de entrega dos Prémios Excelência aos filhos de colaboradores da Portugal Telecom - aceitei o desafio com muito orgulho. 
Porém, estava ciente que nem sempre temos a lua ou a sorte para escrever "aquele poema", mesmo quando procuramos o melhor momento para tal. Isto porque não existe - o momento certo. Muito menos, palavras que traduzam a urgência de escrever "o tal poema".  Assim, depois de muitos esboços e rascunhos, nasceu a Inquietude por excelência, inteiramente dedicado ao mérito dos alunos com extraordinário aproveitamento escolar. Aos obreiros do futuro deste país, aqui deixo estas humildes palavras.


Numa plateia repleta de excelência e mérito,


ouviu-se um simples poema 



Inquietude por excelência




De onde vens?
na mansidão de horas calmas,
do nome da terra e de todas as nuvens que desenhamos ao longe,
do local onde foste dia, para além das noites em claro,
em bibliotecas construídas no topo das árvores,
onde nos ramos das estantes mais altas,
os livros concretizavam impossíveis em páginas de vento;
nesse local de abecedário infinito,
surge na curva do teu olhar um brilho.
esse é o engenho com que se ergue um sorriso
e se fecha um caderno diário de conquistas.
Tu vieste da terra onde as portas são voadoras
e as janelas mudam de céu a cada tempo teu.

Agora que olhas para trás e pensas:
- Aqui cheguei!
pelo esforço do dia-a-dia,
feito fogo na palma dos olhos,
de tantas cidades dentro de cidades,
onde crescer para fora das fronteiras
é o grito que precisamos de ouvir em silêncio;
Assim...
do livro, do estudo e do prolongamento da mão,
das ruas desenhadas a régua e esquadro e dos seus passageiros binários;
tudo pode acontecer numa folha quadriculada.
Já para não falar dos bichos-carpinteiros que te obrigam a roer o lápis,
de nervoso miudinho, ou até da falta dele,
sem perder um minuto de atenção pois a atenção não se perde sozinha:
dos comboios de sensações e das suas fórmulas indecifráveis,
das escolas, das universidades, dos intervalos, das pautas, dos colegas,
do toque de entrada, ao toque do telemóvel, da mensagem adiada,
e da nota conquistada na órbita do sonho,
dos beijos e abraços que quase tudo diziam,
forrados em papel memória e doce afecto.
Estás aqui.

Por fim, no calmo aconchego,
onde nasce o sorriso de soslaio do pai e o orgulho triunfal da mãe,
outros dizem em surdina: “Está feito um Homem!” Ou “Ah grande Mulher!”
Porém, como será amanhã?
depois destas explosões de mar à vista e terra prometida,
após tantos rascunhos e quimeras;
Como será?
Há outra luta, é verdade, mas que seja de inquietude por excelência;
porque até aqui meus amigos, vocês foram fazedores de sonhos!




Dos mainás na praia de Carcavelos até oftalmologia

  mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...