Na terceira edição da excelente revista Revista-me podem ler o meu conto, O Monólogo da Espera, adaptado para teatro o ano passado no Café Poema. Agora em formato digital e de fácil leitura aqui
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Monólogo da Espera editado na Revista-me
Na terceira edição da excelente revista Revista-me podem ler o meu conto, O Monólogo da Espera, adaptado para teatro o ano passado no Café Poema. Agora em formato digital e de fácil leitura aqui
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Sisão
No cume da planície Alentejana,
há quem diga;
que o sol é um ilhéu em pleno naufrágio
e a lua, uma mulher que dança no pião e na malha do tempo
Há também quem conte;
que nos braços das ilhas do Alqueva existem pontes imaginárias,
onde os homens ainda não descobriram a cor nem o sal das lágrimas,
e o brilho do terço das viúvas tem o encanto de rejuvenescer as almas
Na beleza única das rugas do delta além Tejo
há quem cante a Deus por estas e outras vinhas,
num corpo de árvore feito alto madrugar
e tudo mais vive sem que se dê conta.
há quem diga;
que o sol é um ilhéu em pleno naufrágio
e a lua, uma mulher que dança no pião e na malha do tempo
Há também quem conte;
que nos braços das ilhas do Alqueva existem pontes imaginárias,
onde os homens ainda não descobriram a cor nem o sal das lágrimas,
e o brilho do terço das viúvas tem o encanto de rejuvenescer as almas
Na beleza única das rugas do delta além Tejo
há quem cante a Deus por estas e outras vinhas,
num corpo de árvore feito alto madrugar
e tudo mais vive sem que se dê conta.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Rã-verde
Por uma questão de honra anfíbia:
nunca ficamos no parapeito da janela mais do que dez minutos,
sorvemos as novidades dos desorientados insectos mensageiros
e submergimos logo a seguir nos ecos verdes que se propagam na água;
às vezes somos tentados a sair para outro reposteiro mais soalheiro,
mas não é mesma coisa, nada se compara com o nosso charco.
por isso, fazemos fé nos pulos que o mundo dá para não saltar daqui para fora.
nunca ficamos no parapeito da janela mais do que dez minutos,
sorvemos as novidades dos desorientados insectos mensageiros
e submergimos logo a seguir nos ecos verdes que se propagam na água;
às vezes somos tentados a sair para outro reposteiro mais soalheiro,
mas não é mesma coisa, nada se compara com o nosso charco.
por isso, fazemos fé nos pulos que o mundo dá para não saltar daqui para fora.
domingo, 4 de setembro de 2011
Andorinha-das-chaminés
A rapidez com que dizes primavera
é a mesma com que cortas as correntes de ar,
e as flores deixam de ser flores e passam a ser perfume,
quando o azul nasce todos os dias no caule do sol,
com a mesma rapidez com que dizes Setembro.
é a mesma com que cortas as correntes de ar,
e as flores deixam de ser flores e passam a ser perfume,
quando o azul nasce todos os dias no caule do sol,
com a mesma rapidez com que dizes Setembro.
Chapim-azul
De cabeça para baixo tu dizias que:
o mundo estava de pernas para o ar.
eu concordava; na expectativa de te ver desenhar uma cambalhota acrobática,
roendo-me de inveja pelo teu malabarismo que conferia aos optimistas
uma outra visão, só ao alcance daqueles que buscam o cume da fragilidade
transformando-a na maior das virtudes: um canto de esperança.
o mundo estava de pernas para o ar.
eu concordava; na expectativa de te ver desenhar uma cambalhota acrobática,
roendo-me de inveja pelo teu malabarismo que conferia aos optimistas
uma outra visão, só ao alcance daqueles que buscam o cume da fragilidade
transformando-a na maior das virtudes: um canto de esperança.
Vespa-do-papel
E da dor que um dia foi ferida aberta ao sol
a picada do insecto de papel fez capturar o cupido
na teia de âmbar que vive para além luz crepuscular,
e quando se queria libertar das asas dos ventos idos,
apenas restou arma afiada da saudade
que na têmpera do tempo foi apenas
ínfimo milímetro do que poderia ter sido .
a picada do insecto de papel fez capturar o cupido
na teia de âmbar que vive para além luz crepuscular,
e quando se queria libertar das asas dos ventos idos,
apenas restou arma afiada da saudade
que na têmpera do tempo foi apenas
ínfimo milímetro do que poderia ter sido .
Joaninha-amarela
No teu dorso amarelo salpicado por pintas negras,
imagino o requinte da joalharia que inunda os olhos
dos fabricantes de sonhos e outros dissimuladores virtuais;
como desejaríamos andar enfeitados por insectos vivos de luz!
no colarinho da camisa, na gravata aperaltada,
ou na língua bifurcada por um piercing insectívoro;
mais tarde e talvez mais satisfeitos...
sentiríamos que a linguagem da dor,
proferida pelas alfinetadas ao rasgar o melindre da pele,
são o único sabor que a realidade nos oferece.
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