Hoje, pelas 03:15 da manhã, estava em teletrabalho no turno da madrugada, quando ouvi uma vocalização familiar. Abri a janela e tentei encontrar o bicho mas sem sucesso. Voltei para o computador, passados poucos instantes as vocalizações aumentaram de intensidade. Fiquei de alerta. Da minha secretária consigo ver a rua e reparei num vulto a passar junto aos candeeiros do jardim. Dei um pulo e espreitei novamente por entre as cortinas. Lá estava a carismática e imponente coruja-do-mato (Strix aluco), poisada num poste do outro lado da rua. Longe. Foi um minuto de sonho, no qual tive o privilégio de observar esta ave desde a janela do meu quarto. A dificuldade para focar foi grande e consegui apenas duas fotos antes de a coruja ir à vida dela e eu voltar ao trabalho. Por Carcavelos, a construção floresce, o que faz com que este predador nocturno perca habitat. O ano passado apenas consegui gravar o som de algumas das suas vocalizações por aqui. Este ano consegui uma fotografia possível ou sofrível, contudo, o que conta, é este momento que ficará guardado na memória das noites felizes.
terça-feira, 12 de julho de 2022
segunda-feira, 11 de julho de 2022
Vizinhos
do rés do chão aos
andares cimeiros floresce humidade
os gatos já não falam
com os fantasmas indisciplinados,
os roupões tingidos ficam dias nos estendais a adiar a morte,
as cartas das pensões amontoam-se nas caixas do correio.
das janelas fechadas fazem-se máscaras sem rosto,
dos beijos apartados às
mãos a cheirar a álcool,
toda a distância do
afecto é ampliada pelo olho de boi;
da porta espia-se a
ausência de quem desespera.
de quando em vez a luz
da escada acende-se,
as dobradiças de ferro gritam por óleo,
fecha-se o dia após 25
segundos de luz,
derramada indecentemente
no corrimão solitário.
a ambulância levou os
meus queridos vizinhos,
a contragosto, num
arrastão doentio e veloz,
nesse dia ouvi dizer:
nunca vivemos nada assim!
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