segunda-feira, 15 de abril de 2019

Em busca da Toutinegra-tomilheira





Da nossa viagem pelas lezírias fica a imagem da seca e do pó que contradiz o ditado "Abril águas mil". Março praticamente não choveu e abril vai pelo mesmo caminho. Mesmo com umas tímidas pingas do início deste mês, são visíveis os efeitos da seca. Aqui, nas lezírias existe a produção de arroz, vinho, carne de bovino e azeite,  a julgar pela secura dos talhões desocupados é bem evidente a terra gretada, mesmo tendo os rios Sorraia e Tejo a servir de apoio, a produção poderá sair afectada. Estamos cada vez a experienciar um clima subtropical quiçá resultado das nossas acções mas essa será sempre outra história. O objetivo desta viagem era fotografar a toutinegra-tomilheira, o que provou ser um desafio bastante difícil perante um bicho tremendamente irrequieto. Seguimos as indicações ao nosso amigo Frade, e uma vez no local, andámos literalmente atrás da ave em 200 metros de estrada. Ora para trás ora a frente, a toutinegra aparecia e desaparecia em cima das vedações sempre que nos aproximávamos. Mesmo assim, com sorte e persistência conseguimos um registo deste bicho que parecia estar com pressa para fazer as malas e partir.
Alguns momentos que ficaram na memória deste dia sem dança da chuva ou outra miragem.


Os portões de céu por abrir e os seus recantos.


Eis o registo possível da toutinegra-tomilheira (Sylvia conspicillata) e as suas consecutivas fintas às nossas aproximações.



A garça-vermelha fazia-se representar em bons números, e os seus voos era algo que não deixava indiferentes.


A álveola-amarela decidiu sacudir o traje sem receio algum dos mirones. 


No meio de um terreno seco, surge a espera contemplativa do pintarroxo ao lado de pequenos resistentes vegetais.


Lá ao fundo a Ermida de Nossa Senhora Alcamé num dialogo com as nuvens.


Todos os dias procuramos algo que nos faça sentir melhor. Os homens e os bichos, a cidade e a lezíria, todos esperam aquilo que os céus e a terra lhe possam conceder. E às vezes o milagre da chuva é mesmo um milagre dos nossos dias.









António Lobo Antunes

Na sua boca as palavras tinham outro sabor. As pausas, os silêncios, conferiam um significado às sombras que deslizavam nas conversas. Dava ...