armas destas nunca armaram guerreiros,
fisgas feitas dos ramos da nespereira,
câmara de ar e couro,
quando o alvo era um vaso sem flor
os tiros teimavam sair sempre ao lado;
falhar era um elogio da idade,
na contabilidade de quantas cabeças partidas
pouco importava se tinha frio na barriga
mãos trémulas ou pontaria zarolha.
mãos trémulas ou pontaria zarolha.
com os joelhos esfolados e espinhos de cardos espetados nos dedos
as tardes de verão eram de conquista territorial;
figueiras escaladas na congestão da hora de maior calor
guerrilhas armadas pelos terrenos baldios
as tardes de verão eram de conquista territorial;
figueiras escaladas na congestão da hora de maior calor
guerrilhas armadas pelos terrenos baldios
dez rapazes a correr de fisga nos dentes a saltar muros
onde as guerras eram combinadas e as pazes duradouras,
tantas sestas furadas pelo desafio dos miúdos fanfarrões,
os dias tinham mais horas e tantos eram os caminhos.
onde as guerras eram combinadas e as pazes duradouras,
tantas sestas furadas pelo desafio dos miúdos fanfarrões,
os dias tinham mais horas e tantos eram os caminhos.
se não me engano hoje estourou a 43ª guerra mundial das fisgas
aqui estou eu a atirar pedrinhas negras ao rio
assistindo ao rápido movimento com que cortam águas
explodindo em pequenas ondas concêntricas
à sombra o rio canta, a figueira ainda lá está e a nespereira também,
à espera que eu falhe e volte a falhar e volte a tentar e perca a cabeça.
aqui estou eu a atirar pedrinhas negras ao rio
assistindo ao rápido movimento com que cortam águas
explodindo em pequenas ondas concêntricas
à sombra o rio canta, a figueira ainda lá está e a nespereira também,
à espera que eu falhe e volte a falhar e volte a tentar e perca a cabeça.
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