terça-feira, 23 de setembro de 2014

Lembrança do primeiro dia




a outonal voz que te chama madrugada
faz renascer pequenas luzes das casas
que agora acordam no pulsar citadino dos faróis solares 
de onde descem Homens-fábrica pelos degraus de Setembro 
ordeiros, em espiral de rotina e esquecimento,
no caminho para os túneis pontapeiam folhas mortas dos cadernos de verão,
sem um sorriso que os convença que tudo muda de pele.

E quando os melros se vestem de aves primordiais,
já o grito das folhas despe o movimento das árvores
fazendo-me lembrar que ainda foste outono
há tão pouco tempo uma praia de tantos lumes.


António Lobo Antunes

Na sua boca as palavras tinham outro sabor. As pausas, os silêncios, conferiam um significado às sombras que deslizavam nas conversas. Dava ...