Da terra seca abre-se uma boca de caleidoscópio,
da qual nascem cores indecifráveis das órbitas humanas.
a pele deste inferno, despido de fala, é tão seca que dos poros de argila
evaporam-se palavras nas linhas da mão.
por mais que escaves com a enxada que te serve de corpo
a manta morta remexida da memória não é regada há muito tempo;
não chove faz três meses e a terra lamenta a falta de lágrima nos lábios em ferrugem
mas continuam a surgir arco-íris voadores das pálpebras dos dias frios,
que poisam na ponta dos dedos dos fazedores de chuva
e de outras mulheres de sina bela.
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