eras ainda,
nas mãos um punhado de maças da índia
boca de seixo na orla do silêncio
olhos de horizonte que faziam sorrir os descontes
foste depois
dizendo a todos e mais alguns, que tinhas a cura
para as dores e desventuras que sulcavam o eixo das mágoas
para as horas que corriam ao contrário das horas
e para as insónias pele de cobra
contudo, ninguém te ligou nenhuma,
posto isto, não estiveste de meias medidas,
esmagaste com as mãos as pequenas maças da índia
com a mesma força do fruto ao parir dias desiguais
enquanto trincavas a raiva quase desnorte
mordendo o lábio superior esquerdo até que, deu no que deu,
sumo liquefeito em grainhas e sangue agridoce pelos lábios abertos à falta
a escorrer
um fio ensanguentado de silêncio num serpentear lento
pelo teu vestidinho de vinco aprumado e depois
no tua completa indumentária de branco de tão branco que era
como esta página que desconhece o teu baptismo
tudo se tornou gradualmente vermelho numa mancha de dor crescente
só assim todos repararam e vieram em teu socorro (sim todos sem excepção!)
(de boca aberta e queixo a roçar os joelhos) todos eles com a cabeça na mão
perguntaram ante tal estupefacção:
a menina?... esta agora! a menina passou-se! não mexa nisso! mas que parvoíce vem a ser esta?
e tu respondeste:
só reparam no que destoa da estúpida normalidade (aparente)
quando aprendemos a gritar com as mãos.