dormes no dia cansado de doença
a luz que flutua nas folhas da cama
é o reflexo do embalo de Deus
espelho daquele teu olhar.
dormes no dia cansado de doença
a luz que flutua nas folhas da cama
é o reflexo do embalo de Deus
espelho daquele teu olhar.
Em diferentes momentos do dia, as cores e África refletidas no rolieiro-de-peito-lilás Coracias caudatus, sereno guardião das estradas do Quénia.
Em Samburu no Quénia, o rolieiro-de-peito-lilás (coracias caudatus) reclamava a posse deste tronco e não saia de lá por nada. Mesmo que a escassos metros, passassem de carro uns tipos estranhos, de fala improvável, de hábitos invulgares e máquinas bizarras que o contemplavam como se tivessem encontrado aquela, a dita lança em África.
O tecelão-de-sobrancelhas-brancas | white-browed sparrow-weaver (Plocepasser mahali), veio debicar o pão que estava no cesto a um canto da cozinha. Sem vergonha e com muita confiança, esta foi uma das aves que observei com maior frequência durante a minha viagem ao Quénia.
A mulher de lua esfinge estende-se no areal
do seu ancoradouro faz-se abrigo, enseada
nas suas coxas morenas, desertas, os limos
salgam-me a vontade de vazar maré.
entreabre-se o rubro bivalve salgado,
deixando antever o brinco pérola rosado,
à espera do toque primordial dos dedos,
míngua pelo aconchego na boca de calor.
ah que maleita desgraçada esta!
quebranto febril nesta praia de azar,
cabeça falo que me resta, por ti,
perdi olfato e paladar.
agora sustenho este murcho encanto
de ver passar navios, de farol a quebra-mar.
Não consigo estar quieto!
num frenético desconforto
enrolo-me, cuspo-me para o chão,
idealizo terramotos numa noite eterna.
a abençoada febre despe-me dos suores
não gastos em prazeres fêmea.
sou uma mortalha usada e molhada,
nem para charro de rodada me ajeito.
com olhar de peixe o médico disse:
“incha, desincha, depois passa!”
pego no receituário prescrito e no verso leio:
“como era se ficasse tudo às escuras para sempre?”
à boca do túnel urbano
desisto da paisagem subterrânea,
os olhos perdem-se na leitura,
a fome do livro puxa-me a
cabeça.
lagrimas afiadas molham a
página,
os carris embalam a carruagem
prenhe:
5 minutos - abre-se a porta ao
formigueiro humano
2 minutos - tudo se esvazia na
rotina do ganha pão.
subo as escadarias em ombros
fantasmas,
enquanto sapatos elétricos esquecem-se
dos seus corpos,
degraus e mais degraus para ter que voltar,
com nódoas negras deste bulir
cerebral.
em
loop sincronizado,
viajo na carapaça deste bicho-de-conta mecânico,
vejo-me a subir as
escadas elétricas, anestesiado, talvez feliz,
ao mesmo tempo que um outro eu
desce, desce, até desaparecer...
na ladainha, suave engano.
mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...