O tecelão-de-sobrancelhas-brancas | white-browed sparrow-weaver (Plocepasser mahali), veio debicar o pão que estava no cesto a um canto da cozinha. Sem vergonha e com muita confiança, esta foi uma das aves que observei com maior frequência durante a minha viagem ao Quénia.
domingo, 23 de julho de 2023
quinta-feira, 13 de julho de 2023
Sem praia ou sabor
A mulher de lua esfinge estende-se no areal
do seu ancoradouro faz-se abrigo, enseada
nas suas coxas morenas, desertas, os limos
salgam-me a vontade de vazar maré.
entreabre-se o rubro bivalve salgado,
deixando antever o brinco pérola rosado,
à espera do toque primordial dos dedos,
míngua pelo aconchego na boca de calor.
ah que maleita desgraçada esta!
quebranto febril nesta praia de azar,
cabeça falo que me resta, por ti,
perdi olfato e paladar.
agora sustenho este murcho encanto
de ver passar navios, de farol a quebra-mar.
quinta-feira, 6 de julho de 2023
Abençoada febre
Não consigo estar quieto!
num frenético desconforto
enrolo-me, cuspo-me para o chão,
idealizo terramotos numa noite eterna.
a abençoada febre despe-me dos suores
não gastos em prazeres fêmea.
sou uma mortalha usada e molhada,
nem para charro de rodada me ajeito.
com olhar de peixe o médico disse:
“incha, desincha, depois passa!”
pego no receituário prescrito e no verso leio:
“como era se ficasse tudo às escuras para sempre?”
sábado, 1 de julho de 2023
07:04 - 17:04
à boca do túnel urbano
desisto da paisagem subterrânea,
os olhos perdem-se na leitura,
a fome do livro puxa-me a
cabeça.
lagrimas afiadas molham a
página,
os carris embalam a carruagem
prenhe:
5 minutos - abre-se a porta ao
formigueiro humano
2 minutos - tudo se esvazia na
rotina do ganha pão.
subo as escadarias em ombros
fantasmas,
enquanto sapatos elétricos esquecem-se
dos seus corpos,
degraus e mais degraus para ter que voltar,
com nódoas negras deste bulir
cerebral.
em
loop sincronizado,
viajo na carapaça deste bicho-de-conta mecânico,
vejo-me a subir as
escadas elétricas, anestesiado, talvez feliz,
ao mesmo tempo que um outro eu
desce, desce, até desaparecer...
na ladainha, suave engano.
segunda-feira, 26 de junho de 2023
Um estorninho que veio comer à mão
terça-feira, 13 de junho de 2023
Pazada
oiço a pá a rasgar o saibro;
som cheio, arenoso,
sincopado e nervoso
ritmo quase fúnebre.
ao lado, o canto harmonioso
da trepadeira ao subir a árvore,
ave de cabeça para baixo e bico agulha,
minuciosa cata insecto e costura
o bichinho penado assiste ao trabalhador,
obra ao sol sem feriado ou clemência,
a ferir a terra que o pariu.
terça-feira, 6 de junho de 2023
O incansável cansaço
São corredores infindáveis
para chegar às batas brancas,
que nos alinham em nuvens de fé,
num telegráfico e ambicioso receituário.
- o médico disse que as análises estavam boas...
o passo faz-se curto pelo chão gasto dos hospitais,
Tu minha Mãe cada vez mais cansada do depois,
sempre que sobes os degraus do nosso canto
e repousas no sofá à espera do fôlego sem hora,
- a nossa rua é a mais bela mas a nossa árvore tem pouca folha.
Tu minha Mãe - mulher única e triunfal!
quando o meu mundo é a ciência do teu sorriso,
ficarás sempre nestes dias por preencher.
Dos mainás na praia de Carcavelos até oftalmologia
mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...
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E assim dei por terminada a leitura destas páginas que me inquietaram durante mais de um ano. Debaixo do braço ou na mochila, transport...
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Em Junho deste ano, quando estava a gravar a entrevista para a reportagem da Sic sobre o Parque Florestal de Monsanto , perguntaram-s...