segunda-feira, 16 de novembro de 2020
O torcicolo da minha janela
domingo, 15 de novembro de 2020
Com finamento
nesta tarde de confinamento
só as trepadeiras ousam sair de casa
de costas voltadas à árvore que as desafia,
do outro lado, expiamos o vapor da nossa existência,
atrás de uma janela somos máscaras do nosso medo,
frágeis ornamentos de filigrana neste cerco de contágio.
de pés descalços pela ciência o fosso de afectos aumenta,
beijamos com os olhos e acariciamos o vácuo digital,
a comunicação regenera-se no conforto de um aceno familiar,
as notícias ambicionam ser uma nova religião.
perguntamos quantos morreram hoje?
como quem questiona o que é hoje o almoço;
depois disto... diluímos o medo nos números e até...
creio que o vidro e o metal ficaram mais frios
e o sangue mais escuro.
para me entreter...
desenho o que seria um sorriso ou talvez um balão,
mas fico-me por um circulo que ambiciona ser sol:
os livros fecham-se, os estores caem, as luzes cansam-se.
a televisão mete-se na cama comigo,
enquanto o computador desfaz-me a máscara humana.
nesta tarde...
o bicho esconde-se num manto de nevoeiro
e vergonha.
quinta-feira, 29 de outubro de 2020
mais uma raridade na Foz do Sizandro
Lá sai eu de máscara no rosto e com algum distanciamento social como dita a etiqueta destes dias, porém entre amigos a distância não é fácil de conservar. Fomos em direcção à foz do rio Sizandro, não sem antes apalavrar e vaticinar os dias do fim do covid 19. Esse era o nosso desejo. Nesta época de pandemia em que a dizimação do vírus parece estar descontrolada, a natureza segue o seu curso, com as suas curiosidades e os seus movimentos errantes e dispersivos. Enquanto isso, os humanos procuram algo que os mantenha vivos e com esperança nos ensinamento que a natureza proporciona. Nem a fúria da chuva nos arredo...u da praia da Foz do Sizandro para ouvir o que este elegante perna-amarelo-pequeno (Tringa flavipes) tinha para contar. Alguns parágrafos e reticências sem luz ou vacina no enublado horizonte ou nada disto... as ondas não se cansaram de desarrumar os segredos guardaddos na areia.
quinta-feira, 24 de setembro de 2020
a triste sina de um ganso-patola
terça-feira, 11 de agosto de 2020
na sombra dos teus ramos
meu doce pai de sorriso fácil,
arrasta os
pés em direção ao café,
rumo de
um relógio certo,
de nada vale,
os ralhetes por causa do covid ou da febre,
ele apenas
teme que os 84 anos lhe imobilizem as pernas
e não lhe
deixem beber uma bica de manhã uma cerveja à tarde
no seu cantinho e pela volta dos pinheiros,
passo a passo, para depois amparar o descanso dos prédios,
com o vagar
que só árvores fortes sabem apreciar,
e com isto, lá vai ele de chapéu posto, agarrado à rotina,
enquanto nós
engodamos a vida com mais uns comprimidos.
minha querida
mãe,
em
intervalos de sete luas visita as urgências hospitalares,
hoje a lua
está cheia de preocupações, agonias, palpitações.
custa-me
vê-la a desaparecer nos corredores do hospital,
sem poder
fazer nada,
depois do
segurança me impedir de passar a linha amarela,
deixei-a ir como uma sombra outonal delicada
a seguir uma
linha imaginária indicada pela enfermeira,
para aguardar numa sala pejada de suspiros impacientes.
como filho, vê-los
assim, arrancam-me o coração pelo boca,
tenho
saudades do tempo em que nos julgávamos eternos,
em que tudo
era solúvel em nuvens de papel vegetal,
agora
sinto-me inconsequente em espasmos verbais,
solitárias
implosões de antidepressivos,
sem engenho
para moldar-me à melodia do amanhã,
em menino, lembro-me
da facilidade com que fazia castelos de plasticina,
naquela
altura era mais fácil sonhar.
contudo, depois
de esperar 6 horas nas urgências pela minha mãe,
um rasto de
esperança aquece-me as mãos;
enquanto o
sensor de movimento das portas do hospital impõe o seu ritmo.
domingo, 9 de agosto de 2020
Bufo-real - um encontro inesperado
terça-feira, 28 de julho de 2020
um adeus a um amigo
Dos mainás na praia de Carcavelos até oftalmologia
mainá-de-crista Acridotheres cristatellus Nada melhor do que transformar uma ida à praia em várias coisas diferentes. Foi o que fiz naquel...
-
Lembrei-me dela hoje. se o amor fosse um erro então podíamos dizer que... éramos felizes quando arrombávamos o marco dos correios. para n...
-
E assim dei por terminada a leitura destas páginas que me inquietaram durante mais de um ano. Debaixo do braço ou na mochila, transport...
-
Em Junho deste ano, quando estava a gravar a entrevista para a reportagem da Sic sobre o Parque Florestal de Monsanto , perguntaram-s...











