Não volto a adiar a alma do vinho
Abro uma garrafa agora mesmo!
Não volto a ter medo de começo
mesmo que persinta que vou
sangrar no fim.
Libertarei todas as lágrimas
incomodas e matreiras
sempre que me apetecer, esteja
onde estiver,
e abrirei as janelas do riso em
uivo ou gargalhada
mesmo tendo a boca inchada com
crostas de sal.
Digo e repito: amo-te! talvez
com a mesma facilidade
com que chego aos pés com os
dedos das mãos,
criticarei os actos alheios sem
pejo da circunstância
com a mesma inocência de uma
criança reguila.
Rapo o cabelo, pinto a barba,
darei azo a todos os devaneios
na urgência com que beijo este
espelho partido,
esperando que alguém do outro
lado me estremeça,
ou me leve para a terra
"do que não fui capaz de fazer"
Se tiver que ser, que seja de
pé, com amor.
não volto a contar as balas de
um velho revolver,
ou remediar as solas dos
sapatos antevendo pedradas nas costas
sabes de uma coisa?
A última vez que a morte passou
por estes lados
não fez parcimónia nem
poupanças.